PAULO FREIRE
Paulo Freire nasceu em Recife em 1921, numa família de classe média, mas devido à crise econômica de 1929 e à morte do pai em 1934, viveu uma adolescência difícil. Apesar disso, conseguiu concluir os estudos e, em 1943, aos 22 anos, ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Ele se formou, mas não chegou a exercer a profissão, preferindo dar aulas de língua portuguesa numa escola de segundo grau.
Em 1947, Freire assumiu o cargo de diretor de educação do Serviço Social da Indústria (Sesi), no Recife, quando passou a se interessar pela alfabetização de adultos e pela educação popular. Na década de 1950, foi professor universitário e concluiu o doutorado em Filosofia e História da Educação.
Nos anos 60 trabalhou com movimentos de educação popular e, no governo de João Goulart, coordenou o Plano Nacional de Alfabetização, com objetivo de tirar 5 milhões de pessoas do analfabetismo. Seu método, conhecido como “pedagogia da libertação”, tinha como proposta uma educação crítica a serviço da transformação social.
Em 1964, depois da ascensão dos militares ao poder, Paulo Freire foi preso e exilado. Morou na Bolívia, Chile, Estados Unidos e Suíça. No Chile, em 1968, escreveu sua obra mais conhecida, A pedagogia do oprimido. Ao longo da década de 1970, desenvolveu atividades políticas e educacionais em diversos países da África, Ásia e Oceania. Ele só retornou ao Brasil em 1980 com a Anistia.
No ano de 2012 foi oficialmente declarado patrono da educação brasileira. O projeto de lei foi aprovado por unanimidade no início de março pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, em decisão terminativa.
Foi educador e filósofo e é conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação.
De acordo com Freire o “conhecimento emerge apenas através da invenção e reinvenção, através de um questionamento inquieto, impaciente, continuado e esperançoso de homens no mundo, com o mundo e entre si”. O conhecimento é um processo que transforma tanto aquilo que se conhece como também o conhecedor. Isto é, o conhecimento surge apenas da relação dialógica e recíproca entre um trinômio formado pelo conhecimento ele mesmo, o professor e o aluno.
Freire acredita que o verdadeiro aprendizado só acontece quando o aprendiz é colocado de frente a um problema, que o impede temporariamente de implementar suas decisões ou satisfazer seus desejos. Esta noção engloba dois aspectos interrelacionados; o papel do professor e a “elevação do nível de consciência”.
O primeiro aspecto refere-se ao papel do professor em que este é visto como aquele que cria situações nas quais o aprendiz encontra obstáculos a vencer. É nesta consciência de incompletude que se fundamenta a educação como uma atividade exclusivamente humana. Neste sentido. conhecedor e conhecimento, tal qual o problema e sua solução, são relatadas simbioticamente e dinamicamente.
O segundo refere-se a aspectos envolvendo a ideia de “elevação do nível de consciência”. Assim implícita na “proposição de problemas”, está a necessidade de conscientizar-se dos problemas que existem a nossa volta.
O principal livro de Paulo Freire é Pedagogia do Oprimido, onde descreve tanto os métodos que desenvolveu e aplicou, como uma reflexão filosófica sobre seus fundamentos e ramificações. Critica a educação tradicional, que denomina de “conceito ‘bancário’ de educação, no sentido que aos estudantes só é permitido receber, arquivar e armazenar os depósitos”. Condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas (isto é, as “escolas burguesas”), que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como quem deposita conhecimento num estudante apenas receptivo, dócil.
Em outras palavras, o saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores. Trata-se, para Freire, de uma escola alienante, mas não menos ideologizada do que a que ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos. “Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade”, escreveu o educador. Ele dizia que, enquanto a escola conservadora procura acomodar os estudantes ao mundo existente, a educação que defendia tinha a intenção de inquietá-los.

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